Por
Letícia Passos
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| Foto: Pixabay |
Já dizia o gênio da física, Albert Einstein, que “insanidade é
continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”, mas o
brasileiro parece não compreender essa lógica. Faz parte da rotina escutar na
rua alguém falando que é preciso mudar, que do jeito que está o Brasil não vai
para frente. Conversas de mudança são apenas discursos partidarizados
para mesa de bar sem que a sociedade brasileira discuta soluções concretas em
seu dia-a-dia. A política do Brasil nada mais é do que o reflexo do brasileiro.
Pode dizer que é exagero, chiar dizendo que não vota em candidato ladrão, mas o
fato é que somos, em nossa maioria, corruptos.
Somos corruptos quando
estacionamos nas vagas para deficientes com a desculpa de que são “apenas cinco
minutinhos”. Somos corruptos ao fingir estar dormindo para não levantar do
assento preferencial no transporte público quando chega um idoso. Somos corruptos
quando furamos a fila do banco porque estamos com pressa. Nossos filhos são
corruptos quando preferem ficar no Facebook ao invés de estudar para a prova e
aí, sem saber nada do assunto, cola do coleguinha da frente.
A chance de mudança
aparece na faculdade. Em um semestre horrível em que as aulas são chatas e os
professores negligentes. Sempre reclamamos insatisfeitos com o andamento da
coisa, mas quando surge a chance de mostrar nossa insatisfação, quando podemos
avaliar os docentes, por exemplo, resolvemos ignorar. E o motivo é porque temos
medo que a avaliação vá parar nas mãos dos professores e eles nos tratem com
maior rigor. É amigo, a sua covardia impediu o progresso.
O momento de mudar vem
nas eleições. Entretanto, estamos tão "desiludidos" com a política
que preferimos não comparecer. Mais de 7 milhões de brasileiros decidiram não
se pronunciar nestas eleições. E, se de má vontade nos apresentamos, preferimos
votar em branco e desperdiçar a única oportunidade de fazer a diferença. A
chance de mudança também aparece na hora de tirar o poder das mãos de partidos
conhecidos pela lista nada modesta de políticos ficha suja, mas preferimos
votar no candidato que "rouba, mas faz" do que dar uma chance àquele
candidato do partido menos popular. Talvez de lá saísse a mudança que o povo
tanto deseja.
Rezamos pelo fim dos
conflitos no Oriente Médio, criticamos o radicalismo islâmico, que oprime
mulheres e executa gays, mas em nosso País votamos em candidatos conservadores
e entregamos o poder de decisão do Estado Laico nas mãos de bispos e
preenchemos a Câmara de Deputados com a "Bancada da Bíblia". Uma
corja de fanáticos tão repulsivos quanto o Estado Islâmico. A única diferença é
que eles são cristãos e disfarçam seus preconceitos com promessas de campanha.
A mídia internacional
não deixou de notar o retorno do conservadorismo e a dominação expansiva do
fanatismo religioso, especialmente com a eleição de Crivella para prefeito do
Rio de Janeiro: The New York Times (Estados Unidos), The Guardian (Inglaterra),
Le Monde (França) e o La Nación (Argentina), por exemplo, não viram com bons
olhos esse resultado. Criticamos as emissoras de televisão que apresentam em
suas novelas as “poucas vergonhas” e, no entanto, continuamos dando audiência
para elas. Basta olhar o IBOPE de novelas como “Liberdade, Liberdade” da TV
Globo, que bateu recorde de 30 pontos em alguns capítulos ou “Babilônia”, que
apesar de ter começado com baixa audiência, nos capítulos finais atingiu quase
33 pontos, segundo a UOL e o Jornal O Globo. Reclamamos que os jornais
manipulam conteúdo, excluem as minorias, só falam do mesmo assunto todos os
dias, mas não procuramos outras fontes de informações e esperamos para ver o
que o William Bonner vai contar para a gente.
Os religiosos pregam o
amor, mas na hora de demonstrar a caridade para com o próximo parecem nem
conhecer o significado da palavra. Falamos tanto em Deus e na sua compaixão,
mas julgamos as ações dos outros, condenando alguns ao inferno apenas porque o
que fazem é “pecado”. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque
fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que
entrariam permitis entrar.
A transformação deve
começar de dentro. Dificilmente haverá mudança com o famoso “jeitinho
brasileiro” para conseguir vantagens. As chances de alterar esse quadro
aparecem diariamente e falhamos em abraçá-las. Diz o ditado que “uma andorinha
só não faz verão”, uma declaração corretíssima. Mas isso não significa que você
não deve fazer a sua parte só porque o vizinho, o amigo, o parente não está
fazendo. As oportunidades estão todas aí, entoando seu cântico sedutor,
mas teimamos em resistir. Discursar bonito na frente dos amigos é fácil. O que
o Brasil precisa é de atitude, de gente decente que não teme a luta, mas encara
as ameaças e não volta atrás quando o cassetete baixa. Gandhi já ensinava:
“Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Acordai!

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