Por
Rocio Paik
E percebo que mais um dia se passa. Foi nesta
hora, neste lugar e, provavelmente, nesta garoa. Junto àquele guarda-chuva e
àquele sorriso.
Sempre
risonha, levavas-me alegre de lá para cá. Lembro do toque de teus dedos.
Independente de triste ou alegre, eles sempre me acariciavam. Com uma mão, o
guarda-chuva. E a outra, sempre segurando aquela bolsinha rosa. E dali era que
tiravas biscoitinhos quando percebias minha barriga roncar.
Costumavas me contar segredos, porque sabias
que nunca fofocaria. E nunca mesmo os contei a ninguém. Me beijavas a toda
hora. Às vezes nas mãos, na testa e outras no rosto. Gostava bastante do teu
carinho de todos os dias. E quando verbalizavas meu nome?
“Tobby!”
“Tooobby!”
“Tobbynho!”
Não nego que sinto falta de tua voz me
chamando a todo momento. Confesso que às vezes até me irritava. Mas quem dera
eu nunca mais fosse ouvir meu nome por aquela melodia... E quem dera a tua
simples promessa de que permanecerias comigo se tornaria uma mentira. Era
sempre nesta hora, neste lugar. Mas foi naquele dia em que até mesmo as nuvens
lacrimejaram, que sumistes. O que fazes lá em cima, enquanto aqui embaixo
espero?

Nenhum comentário:
Postar um comentário