segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Crônica: Do sempre até o nunca

Por Rocio Paik




E percebo que mais um dia se passa. Foi nesta hora, neste lugar e, provavelmente, nesta garoa. Junto àquele guarda-chuva e àquele sorriso.

 Sempre risonha, levavas-me alegre de lá para cá. Lembro do toque de teus dedos. Independente de triste ou alegre, eles sempre me acariciavam. Com uma mão, o guarda-chuva. E a outra, sempre segurando aquela bolsinha rosa. E dali era que tiravas biscoitinhos quando percebias minha barriga roncar.

Costumavas me contar segredos, porque sabias que nunca fofocaria. E nunca mesmo os contei a ninguém. Me beijavas a toda hora. Às vezes nas mãos, na testa e outras no rosto. Gostava bastante do teu carinho de todos os dias. E quando verbalizavas meu nome?


“Tobby!”
“Tooobby!”
“Tobbynho!”

Não nego que sinto falta de tua voz me chamando a todo momento. Confesso que às vezes até me irritava. Mas quem dera eu nunca mais fosse ouvir meu nome por aquela melodia... E quem dera a tua simples promessa de que permanecerias comigo se tornaria uma mentira. Era sempre nesta hora, neste lugar. Mas foi naquele dia em que até mesmo as nuvens lacrimejaram, que sumistes. O que fazes lá em cima, enquanto aqui embaixo espero?

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